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Espanha, Catalunya, Mulher
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VOCÊ ENTENDE PORTUGUÊS?
[Antes de mais nada gostaria de pedir desculpas aos caros leitores desse blog. A Rê trabalha a semana inteira e a Tatê o final de semana inteiro, então quando sobra tempo a gente faz outras coisas. Não que o blog não seja importante, mas ele exige concentração e bunda sentada na cadeira um tempo. Histórias temos de monte, mas a preguiça impera. Não é por mal, juro. Tanto que agora estou fazendo um esforço sobrenatural pra atualizar. E vamo que vamo.]
Essa história é antiga, mas é digníssima de ser mencionada aqui.
Um belo dia de inverno, Tatê acorda com dor de barriga. Passa mal. Vai ao banheiro mil vezes. Xinga deus e o mundo porque tem aula. Pensa em não ir. Vai ao banheiro de novo. Junta forças e pega o metrô, rumo ao IDEP. Chega na escola e descobre que todo mundo está com dor de barriga.
"Uma virose de inverno." diz um. "Comida contaminada." diz outro. "Piriri geral." menciona outra. "Bando de europeu anti-higiênico, isso pra mim é falta de banho e eu tô pagando o pato." penso eu.
Volto pra casa e a Rê diz que tem uma baladinha essa noite, que fulano vai, que vai ser muito legal, vai Tatê faz um esforço, etc. Conto minha história de crise, tiro energia do âmago do meu ser, tomo banho, troco de roupa e vou com a Nêga pra balada.
Trocamos na estação Sagrera, que naquela época ainda tava em reforma. Faltava mais de 7 minutos pro metrô chegar, então comecei a contar minha saga do dia.
- Poxa Nêga, mó dor de barriga, que saco... menos mal que tem um monte de gente que tá ruim, ainda bem que não sou só eu... hehehe
- Nossa, dor de barriga é foda... e quando rola isso na casa do namorado?
- Hahaha, nem fala!
- Poxa, uma vez comigo aconteceu que **************, aí eu inventei um esquema que *************, foi minha salvação.
- Hahaha! E uma vez comigo que eu tava acampando, e ***************, ainda bem que só tava eu e a minha amiga.
- Nooooossa!! Hahahaha! Cara, e quando você *****************, aí num tem como ***************, o negócio é *****************.
- Ahhhhh!! Verdade!!! E uma vez que *****************, aí eu peguei e *****************, foi trash também.
- Trash vai ser se você precisar usar o banheiro da balada!
- Hahaha, sai zica!
Censuradíssimo. Esse tipo de comentário durou os sete minutos de espera. Contamos histórias impublicáveis. Fizemos o juramento de nunca mencionar nossas situações de caganeira pra ninguém.
Chega o metrô. Levantamos felizes e contentes depois de tanta besteira dita, rumo à nossa festa, que ia ser irada, uau e tal! Eis que escutamos atrás de nós, em alto e bom PORTUGUÊS, vozes masculinas:
- TCHAU, GATINHAS!!!
Escrito por Tatê e Rê às 17h02
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Deus e o Diabo no Circo do Sol
Há dois meses [exatos, creio eu] a Rê comprou ingressos para irmos ao famoso Cirque du Soleil. Mal podíamos esperar por esse espetáculo tão sublime, e hoje finalmente foi o grande dia.
Depois da famosa "siesta" de ambas, saímos de casa um pouco atrasadas. E como o lugar é meio longe, demos aquela corridinha básica até o local, montado na praia que freqüentamos algumas vezes quando recém chegamos aqui em Barça.
Metrô de ida: freak show. Básico.
Um cara igual ao Axel Rose pós-atropelamento, milhares de paquistaneses olhando pra nossa cara, senhoras estranhas, e por aí vai. A caminhada rápida até o recinto fez bolhas nos pés. Básico também.
Demos nossos ingressos à "recepcionista" e corremos até o portão 8.
Escuridão total. Pessoas entaladas no cantinho.
Rê fala pra uma das meninas que estava na pequena aglomeração:
- Con permiso!
Catalãzinha solta um mal educado:
- Também estamos esperando.
Chega o lanterninha e nos indica o local.
- Aqui, ao lado desses senhores.
Começa o furdúncio parte I. Isso que dá chegar atrasada...
- Con permiso, con permiso, perdona, con permiso.
Chegamos até os nossos assentos e vemos que estão ocupados. Como Renatinha ia à frente, começou a conversar com os intrusos. Só ouvia:
- Sim, esses são nossos, olha!
[ilumina com a luz do celular os ingressos]
Começa o furdúncio parte II. Gordinha escandalosa manda as duas pessoas [que estavam em nossos lugares] levantarem e irem pros bancos certos. Sentamos. Chega um comentário no meu ouvido:
- Essa gorda tá com meia bunda na minha cadeira.
Dou risada baixinho e vou "mais pra lá" pra Rê caber na cadeira dela.
Começa o furdúncio parte III. A gorda em questão, no meio do espetáculo, com um balde de pipoca no meio das pernas, começa a gritar [sim, a gritar]:
- Dááááááááviiiiii!!!
Nada de resposta.
- Dáááááááviiiiii!!!!!
Continua o espetáculo. Tento me concentrar. Não consigo.
- Dááááááávvviiiii!!!!!
Quase damos um "pedala" no tal do Dávi. Pra nossa salvação, ouvimos uma resposta, quase muda:
- ...quê....?
Réplica da gorda, volume altíssimo:
- PASSA A MINHA PEPSI!!!!!!!!!!!!!!
Crise de riso. Mano, precisa falar assim?
Break de 15 minutos e mandamos ver na gordinha. Falamos mal até não poder mais. Coisas do tipo:
- A mina num pára de comer pipoca!! Ela deve ter dado uma propina de 100 euros pra moça da cafeteria e falado "Num deixa meu balde vazio!!!".
Mil comentários impertinentes depois, entramos de novo pra ver o final do show.
Gordinha desaparecida. Cadê nossa musa inspiradora?
Mudei de lugar e sentei onde ela estava. Qual não é a minha surpresa quando percebo que ao meu lado estão dois brasileiros, e ainda com procedência mineira? Moço comentava com a mãe todos, simplesmente TODOS os atos dos artistas.
No show dos palhaços, chamam alguém do palco pra participar. E não é que o velhinho entrou totalmente no clima da apresentação? E dá-lhe sotaque mineiro:
- Uai mãe, tá veno, ele garrô o espírito da coisa. - Sim meu fi, tô veno, coisa bôua essa diversidade, né não?
Palhaços dão um boneco pro participante segurar. Mais comentários mineiros:
- Tá veno mãe, é com si fossi uma criança garrada nêle! - Tô veno fi, tô veno.
Nem deus aguentaria assistir o Cirque du Soleil com essa platéia. Mas como qualquer pessoa que tá no inferno, a idéia é abraçar o capeta. Damos risada de tudo, acaba o show e vamos pra casa, não antes sem passar no shopping Diagonal Mar e comer um sorvete do Ben & Jerry's.
Metrô de volta: freak show. Básico
Primeiro vagão.
- Mano do céu, que cheiro de mijo. Argh. Num consigo nem me concentrar no que eu tava falando. - Vamos mudar de vagão na próxima estação!
Claro que a próxima não chegava nunca. Maldita linha amarela, é mais rápido ir de joelhos!
Segundo vagão.
- Mano do céu, que cheiro de cachorro molhado! O quê acontece? - Ahhhhh, tá pior que o cheiro de mijo! Vamos mudar de novo. - Claro, no próximo provavelmente vai ter vômito.
Segunda estação não chegava nunca, nunca, nunca. Que mais dizer?
Terceiro vagão.
Não tinha vômito, e o cheiro da sociedade alternativa era quase perfume Chanel em nossos narizes.
Volta pra casa, como sempre rindo da rídicula situação. Ô coisa bôua, sô!
Escrito por Tatê e Rê às 11h14
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RAUL, SEM ALÇA E SEM RODINHA
Às vezes paro pra pensar... "O que me chama a atenção nas pessoas?" Com certeza é o carisma. Carisma é tudo. Pessoas que conversam, pessoas que sorriem, pessoas que são educadas, pessoas sinceras, pessoas divertidas. Adoro pessoas com carisma! Mas às vezes também me pergunto... "O que não me chama a atenção nas pessoas?" Com certeza, é a chatice. Ou pessoas "pesadas", como se diz aqui. Pessoas que não se dão conta quando invadem seu espaço, pessoas que fazer comentários fora de hora, pessoas que atrapalham seu trabalho, pessoas malas... sem alça e sem rodinha.
Mas no fim das contas, percebo que toda essa ladainha é uma grande mentira. Essas pessoas chatas, sim, chamam a minha atenção. Tanto me impressionam, que merecem um destaque aqui, nesse humilde blog.
Raul, o chato, freqüenta o bar onde eu trabalho [sem falta] pelo menos uma vez por semana. Ele só vai um dia. Porque no dia que ele vai, fica tão bêbado, mas tão bêbado, que deve morrer de vergonha no dia seguinte, quando se lembra do escândalo que fez na noite anterior.
Resolvi escrever sobre o dito cujo após este fim de semana. Mas antes de qualquer coisa, aquela velha história. Descreverei este mancebo tão peculiar.
Raul tem um corte de cabelo à anos 50. Ou 40. Ou 30, não sei. Um penteado lambido pra trás, com um topete bufante no alto da cabeça. O tal topete é realmente do meio da cabeça pra trás, porque na frente ele não tem nenhum cabelo. E do meio pra trás é aquele cabelo fininho, ralo, com uns buracos no meio. Coisa linda... inspiração de Caetano Veloso. No pescoço leva uma cruz de prata. Se tirasse o adereço e fincasse numa praça, poderia ser um monumento. Como deve pesar aquilo... é gigante e horrível. Raul tem todos os dentes absolutamente tortos, um encavalado no outro. Um em cima, outro embaixo, um em cima, outro embaixo, e por aí vai. Usa uma jaqueta de couro gigantesca. O defunto com certeza era maior.
Físico à parte, o menino adora fazer "cocktails". Sabe vários. Sempre que o chefe não está, ele vai pra trás do balcão pra preparar alguma mistureba alcoólica. Isso até que seria legal se o tonto não ficasse no MEIO do caminho atrapalhando a passagem. Um detalhe importante: é completamente apaixonado pela Theresa, a outra garçonete. Essa sim, além de linda, é um amor de pessoa. Mas coitada, deve sofrer. O menino não enche o saco dela. Quase explode.
Nesse fim de semana eu estava super mau humorada. Não tinha dormido bem na noite anterior, estava cansada e com sono. À 1 da manhã, Raulzito passa pela porta de entrada do bar.
Começa meu martírio. Eu era Dante caminhando pelo inferno, sem Beatriz para me guiar. Nem por um trechinho. Nada.
Começa o furdúncio. "Theresita, faz um coquetel!!"
Murmuro quase em oração: "Ai meu Santo Amaro, minha Nossa Senhora do Bom Parto, que deus me ajude."
Parecia que Theresa e Raul tinham ímãs. Pra onde ela ia, ele ia atrás. Ela dava um passo, e ele também. Ele gritava pelo seu nome, se apoiava no balcão e sorria com seus 49 dentes. Coisa linda... já mencionei Caetano?
Pós beber alguns copos de cuba libre, vodca com não sei o quê e gin com não sei das quantas, o tom de voz de Raul subiu pro volume 2.
Quando ouvia "Theresita!", minha pele eriçava.
Sono + fome + gritos + relógio dizendo "falta mais de 1h pra você ir pra sua casa", quase me deixam louca. Uma hora e meia de Raul era como um filme de terror. E eu era a protagonista.
Eis que Theresa tem uma idéia. Uma péssima idéia por sinal. Encontrou um livro de com receitas de coquetéis e deu na mão do menino pra ver se ele a deixava em paz. Qual não é a nossa surpresa quando vemos que o rapaz está fazendo um escândalo [que para ele deveria ser super engraçado], batendo com o livrinho no balcão, volume nível 3, dizendo:
"É mentira! Esses coquetéis estão errados! PAM! PAM!"
Faço um "Shhhhh!" com cara de brava e obviamente sou ignorada. Faço cara de antipática e sou ignorada de novo. Bêbados não percebem isso. Sou uma deles, sei do que estou falando.
Após infindáveis, intermináveis, infinitos minutos... fechamos o bar.
Não fosse o meu cérebro [ainda] agir com rapidez, teria falado em volume nível 4: "E aí, Theresa? O mala do Raul foi embora?" Quando estava no "E aí Theresa", um anjo virou meu rosto pro lado e o fitei ali, sentado, seu rosto pesado sendo segurado por uma mão, a bochecha esquerda inteira pra cima e a boca aberta.
Rezo uma prece, ave maria. ESPABILA, CARA!!!
Sento no sofá depois de empilhar todas as cadeiras, colocar cervejas na geladeira, secar copos e apagar as velas. Apóio meus pés no banquinho que estava à minha frente. Pessoas legais sentam ao meu redor. Pessoa sem-noção chega no círculo.
Cansaço + sono + dor nas pernas + dor nos braços + garganta raspando + olhos irritados + idéia de ter que pegar um ônibus pra ir pra casa, mantêm os meus pés no banquinho, sem sequer ter o menor resquício de educação para tirá-los dali e deixar o menino sentar. Ficou de pé, igual a um badalo de sino. Pra frente e pra trás, prum lado e pro outro.
Tiro forças do fundo da alma e pergunto com minha cara de saco cheíssimo:
- Você não vai pra casa, não?
Ouço a resposta:
- Não... não saio daqui até o Axe ir embora...
Faço outro esforço sobrenatural. Respiro fundo, vou de tréplica:
- Quem é Axe?
- É o meu desodorante! HAHAHAHA!
Hoje em dia reconheço. Quando conto essa história para outras pessoas, até dou risada com elas. Mas naquele momento de ódio, pensei:
- Por que você não enfia o Axe...
Raul não apareceu no dia seguinte.
Escrito por Tatê e Rê às 14h40
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SARA, UMA COZINHEIRA EM MINHA VIDA
[PRÉVIA - CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS]
Poderia ser uma daquelas anti-heroínas espanholas, que até deus duvida. Moçoila gordinha e cozinheira de mão cheia... de sujeira. Sua face representa todo o desprezo pelo ser humano, e se a cara de "você é idiota?" existe, é a cara da Sara. Se sinônimo de educação é a Suíça, lá ela seria colocada na chibata. Se sinônimo de tolerância zero é Singapura, lá ela seria aplaudida de pé. Não tolera um erro, uma gafe, uma pergunta, uma cara de interrogação. Deixaria qualquer marinheiro do cais do porto no chinelo.
[INTRODUÇÃO]
Conheci a dita cuja em uma festa em Badalona, a cidadezinha que fica ao lado de Barcelona. Em meu primeiro dia de trabalho no L'Antillana, meus companheiros de feina me convenceram a sair antes de voltar pra casa. Rumamos ao Las Carpas de não sei das quantas, uma balada que mais parecia um circo, com lona e etc. Pedimos a bebida e fomos pra pista de dança. Éramos quatro pessoas até então.
[CAPÍTULO 1 - BALADONA EM BADALONA]
Lá está ela, ao fundo da pista. Sou apresentada.
- Tati, esta é a Sara. - Hola Sara!
Sem dizer uma palavra, ela conseguiu captar toda a minha atenção para acabar com qualquer princípio de politicamente correto. Vestia uma camiseta preta com uma estampa dourada que dizia "SISTER FOREVER", minissaia jeans dois números menores do que o exigido pelo tamanho de suas nádegas e os cadarços de suas botas pretas apertavam as panturrilhas quase ao ponto de gangrena. O salto agulha número 8 desafiava todas as leis da física - gravidade, força motor e energia. Pra completar o conjunto da obra, uma tiara de couro de cobra pra segurar seus cabelos loiros. Ela olhava pra minha cara e não me via. Segurava o copo cheio de bebida laranja-radioativo contra a testa, desencostava, me olhava e colocava o copo de novo na testa. Fez isso durante dois minutos. E eu olhando. Seus olhos conseguem me focar. Fez um sinal com a mão, para que eu me aproximasse. Consegue balbuciar:
- No trabalho eu não sou assim.
[CAPÍTULO 2 - SARA, COZINHA E O IDIOMA]
Chego domingo para trabalhar e lá vem ela, com o capacete enganchado no braço.
- Oi Sara, tudo bom? - ......... gurnf
Penso que talvez tenha acontecido alguma coisa, vai saber... ela até que tava simpática na balada! Tempo vai, tempo vem e tudo o que eu ouço são gritos. Começo a ficar com medo de entrar na cozinha. Um casal senta pra jantar e me pergunta:
- Do que é essa sopa não sei das quantas? - Hum, vou perguntar...
Faço o sinal da cruz antes de abrir a porta que me separa do monstro. Respiro fundo, estufo o peito. Grrr!
- Sara, do que é a sopa não sei das quantas? - .......gurnf - Do quê? - .......GURNF - Desculpa mil vezes, mas eu não entendi. - GUUUUUUURRRRRRRRNNNNNNNFFFFFFFFFF!!!!!!
Fico paralisada, com caneta e o bloquinho de anotações na mão. Ela olha pra minha cara.
- É ISSO AQUI ÓÓÓÓÓÓÓ!!!!
Abre uma portinha do armário e tira um balde de macarrão ressecado.
- Ah...
Passo a informação pro casal, e ouço:
- Hum, acho que não me apetece...
Maldita seja.
[CAPÍTULO 3 - SARA E JORDI, A DUPLA ATÔMICA]
Prévia do Capítulo 3 - Conheça o JORDI
[Peculiaridades à parte [como ter 35 anos e ainda morar com os pais], seu maior orgulho é ser o "encarregado" dos garçons. Adora dar ordens, mesmo sem saber do que se trata. Seu rosto é uma caricatura estilo Simpsons, e faz os piores comentários do mundo. Mestre do "quais quais quais", não passa um dia sem ressaltar como foi importante ter trabalhado em grandes hotéis antes de entrar no L'Antillana, pois assim aprendeu como servir bem os clientes e tocar um bar. Estive no recinto durante 3 semanas, e todos os dias ouvia a bendita frase: "É que eu já trabalhei em muitos hotéis". Passa na frente de todos para servir todas as mesas. No final do expediente, diz orgulhoso: "Vendi mais que todo mundo!!!"]
Agora sim.
Sara odeia Jordi. Jordi sabe disso, mas finge que não. Quando trabalhava às quartas feiras, passava 8 horas da minha tarde/noite com os dois. Freak show é apelido. Chego em um belo dia e Jordi me diz que há uma infinidade de coisas pra fazer. Tipo, encher os vidrinhos de tempero pra salada. Vou até a cozinha e Jordi pega os litros de vinagre e azeite. Os galões tinham as respectivas etiquetas:
VINAGRE / ACEITE
Moçoilo se dirige à Sara:
- Sara, esses são o vinagre e o azeite?
Sara diz:
- VOCÊ NÃO SABE LER???????
Difícil segurar a risada uma hora dessas.
Saio da cozinha, Jordi atrás de mim. Pergunto:
- Jordi, você se dá bem com a Sara? - Claro que sim, Tati!
No final do expediente, Sara conversa com Joan, o chefe.
- E aí Sara, como foi a noite? - NÃO AGUENTO MAIS O JORDI!! ELE É UM IMBECIL!! UM IDIOTA!!
Difícil segurar a risada uma hora dessas.
[CAPÍTULO 4 - SARA, TATÊ, GRITOS E CHORO]
Numa dessas malfadadas quartas-feiras, fui trabalhar. Jordi me diz:
- Tati, você vai atender o bar inteiro sozinha. A Sara mandou eu ficar no balcão.
Mapa do bar: Dois ambientes do lado de fora, dois ambientes do lado de dentro. Mais de cem mesas. Fazer o quê? A Sara mandou!
Corri a noite inteira feito idiota. Todo mundo só queria jantar. Jordi parado no balcão com cara de tonto. Normal.
Vou fazer um pedido no computador e escuto gritos da cozinha:
- TATIANAAAAAA!! É A ÚLTIMA VEZ QUE VOCÊ LEVA UM PRATO DE SOBREMESA SEM ANTES TIRAR O PRATO DO JANTAAAAARRRR!!! - .... quê??? - EU VIIIIIII VOCÊÊÊÊ!!!! NÃO SEI O QUÊÊÊ!!!! - .... mas... - MAAAS NADAAA!!! - Você não tá vendo que eu tô sozinha no bar?? - NÃO ME INTERESSA!!!!!!!!!!
Me pergunto... como a fdp sabia que eu não tinha tirado o prato antes? Ahhh Jordi...!
Voltei pra casa tão nervosa que chorei de raiva. Prometi à mim mesma que procuraria outro emprego. Minha saúde não vale 30 euros.
[CAPÍTULO 5 - O CHEFE, A SARA E O ESCÂNDALO]
Não quis nem saber. Contei tudo pro chefe. Chefe chama Sara. Enquanto varria o salão, Sara e chefe conversavam. Começam os gritos.
- É MENTIRAAAA!!! ESSA MENINA MENTE!!!! E ESSE JORDI???? O QUE ESSE IDIOTA FALOU PRA VOCÊ?
Pela primeira vez, ouço o chefe ter pulso firme.
- Chega! Ou você pára de gritar ou te mando embora, e não me importa ficar sem ninguém! Fecho o bar!
Silêncio de morte. Não sabia nem pra onde ir. Conversaram e Sara foi embora.
Pergunto:
- O que ela falou? - Que você passou os pratos do jantar junto com os pratos de sobremesa. Jurou pelo primo morto que você fez isso. - Por Diós! Claro! Se uma mesa janta, a outra come a sobremesa, as duas terminam ao mesmo tempo, pego os pratos e levo tudo junto! - Ah, faz sentido.
Fico com cara de indignada. Jurar pelo primo morto??
Pergunto de novo:
- Joan, como a Sara ficou sabendo que eu passei os pratos ao mesmo tempo? - O Jordi falou pra ela. - Ah.. imaginei...
[CAPÍTULO 6 - A DEMISSÃO E FIM DA HISTÓRIA]
Fiz teste em outro bar, meu querido La Llum. Teria que trabalhar no L'Antillana no sábado. Ligo pro Joan na quinta feira.
- Não vou mais. Consegui outro trabalho.
Joan faz um escândalo. Não me importa. Vai que eu como comida envenenada?
Tatê mudou-se pro La Llum, tem chefe gente fina, companheira de trabalho fantástica e bebe o que quer. E foi feliz para sempre.
FIM!
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Escrito por Tatê e Rê às 18h22
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.N.i.t.B.u.s.
Algun sabem, outros imaginam, e pros que não têm idéia, vou contar agora. Voltar de NitBus [ônibus noturno de Barcelona] é SEMPRE um freak show. Já vimos de tudo, mas TUDO MESMO em nossas corriqueiras voltas pra casa:
Pessoas que vomitam como a menina do exorcista, tios gagos reclamando, pessoas escandalosas, gente querendo fazer amizade em plena madrugada, gente que quer falar e falar e falar, velhotas mais perdidas que barata tonta, músicos de todas as qualidades, pessoas dormindo melhor que em sua própria cama, garotas de programa [se meus "pré-conceitos" não falham], e uma infinidade de bêbados voltando da balada. Sem esquecer, claro, os pobres trabalhadores como eu, que colocam bebida na mesa de todo mundo e que não tomam nenhuma! Argh!
Pois bem. Entrar no ônibus já é se sentir na discoteca. O ar cheira a vodca com metanol e cigarro envelhecido do dia seguinte. O odor é tão forte que vem como um soco na cara, acompanhado do grunhido clássico que todos soltam ao pisar no recinto:
- Uôu! Ffff..
Vamo que vamo.
Decidi escrever um pouquinho sobre tal circo dos horrores porque hoje minha volta pra casa foi praticamente um filme.
Estou tentando me estabilizar em outro bar [o terceiro, em três meses] porque esse paga bem melhor e ninguém me trata mal [tem história depois]. Peguei o N6 [o que vem pra essas bandas] perto da Ronda San Antoni, no bairro do Raval.
.P.A.U.S.A.
Ronda San Antoni: conhecida como zona de meretrício Raval: bairro de árabes.
Mistura bacana, preciso fotografar. Tem até uma videolocadora com filmes paquistaneses, é fantástico! Fiquei horas admirando os DVD's, mas não entendi uma palavra... Enfim!
Trabalhei das 20h às 3h, numa tranquilidade que não cabia dentro de mim. Poucas mesas, alguns jovens, outros mais velhos, nada de gritos, nada parecido com o L'Antillana de Badalona. O clima gostoso do bar fica por conta de velas coloridas que o cara coloca em cima da mesa. O maior charme.
.V.O.L.T.A.
Como ia dizendo, peguei o N6 já daquele jeito. O cheiro de vodca Moskovskaya com Schweppes de limão e cigarro Ducados fazia festinha no meu nariz. Encosto no espaço reservado pro pessoal de cadeira de rodas, já que não tem lugar "cabível" [hehe]
Ônibus pára na Plaça Catalunya. Ai, essa Plaça...
Desce um povo, consigo lugar pra sentar. Pára de novo no ponto da frente, onde um formigueiro de gente espera pra subir. Abrem-se as portas e entra a muvuca, mais atropelada que a Zepa em final de ano. O cheiro fica pior. Como se não bastasse um zilhão de pessoas querendo ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo, me entra um bróder com um VIOLONCELO. Não sei como ele conseguiu sentar, mas a caixa absurdamente gigante que ele carregava tinha a largura do Maguila e a altura do Oscar do basquete. Ocupou o lugar de 2 pessoas no "espai reservat".
Pensei:
- Nossa, nunca vi ninguém com cadeira de rodas aqui em Barcelona. Tomara que nenhum deles precise agora, senão tá fudido...
Passa dois pontos. N6 pára de novo e fica. E fica. E fica. E fica. E fica.
- Que pasa? - Tão tentando subir o moço da cadeira de rodas.
Parece piada. Nem dei risada, nem pensei nada, nem consegui esboçar uma reação. Soltei um "Ah..." e ficou por isso mesmo.
Galera expremida que nem sardinha, moço da cadeira de rodas compartilhando o "espai" com o violoncelo-maguila.
Quer mais? Então tá.
Curva vai, curva vem e o moço da cadeira de rodas acompanha o ritmo. Não sei como o "conductor designado" [o amigo do moço] conseguia parar em pé, de tão bêbado. Mas talvez o moço também estivesse, sei lá eu. Algumas paradas mais pra frente consegui respirar melhor. Metade já havia descido, o que fazia com que tivéssemos o mínimo de espaço vital. Ou simplesmente não ter um cotovelo no seu ombro e uma pessoa atrás puxando o seu cabelo "sem querer". Abrem-se as portas, escuto gritos de senhoras:
- É aqui!! É aqui!! Motorista!! La puerta!!
Passa uma senhorinha correndo e sai. Passa outra senhorinha e ... se engancha na RODA da cadeira de RODAS do moço da cadeira de RODAS. O tranco foi tão forte que por pouco ela não caiu como um desenho animado no chão. Tenho certeza que o sapato dela saiu. O moço da cadeira de rodas, por sua vez, deu um giro de 180 graus. O conductor designado ainda me grita "Oléééé", e em seguida tapa sua própria boca. Vejo pessoas as redor em tom vermelho sangue, segurando o riso pra não pegar mal. Solto um "Hê" e recebo olhares de desaprovação. Saco.
Quer mais?
Tá bom já, né? :)
Escrito por Tatê e Rê às 05h14
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UM POUQUINHO DE AXÉ, NO?
MOJITO - a balada que leva o nome da bebida cubana abre espaço pra tudo o que é "latino".
Em um dia qualquer, pós sair da casa de um amigo, recebo ligação da Rê* que diz que nosso nome tá na lista de tal balada.. nossa amiga Marcela [colombiana que morou no Brasil algum tempo], é amiga de um pessoal da banda de samba-rock, e descolou o VIP pra gente. Rê me diz:
- É fácil chegar, fica na Balmes com a não sei o quê, te encontro lá.
Justo no cruzamento com a Balmes e a não sei o quê existe um entulho de uma construção, que mais deve ser um campo de pouso de OVNIs, tamanho é o buraco escavado no chão. Avistei por um momento a nêga do outro lado da rua, mas não conseguia chegar nunca, por ter que andar no meio das grades que isolavam o local. Nossa comunicação era na base do "rááál", o que me confortava. Sabia que ela estava lá, mas não enxergava nada.
Entramos no recinto e nos deparamos com uma cena um tanto quanto bizarra. Uma fila de europeus [no melhor estilo "faço fila e danço country"] seguia os passos de um brasileiro que tentava ensiná-los a sambar. Tentava, é a palavra. O bróder "professor" em questão arranhava um portunhol de doer os ouvidos, e gritava no headphone [aquele igual ao da Sandy]:
"Una perna, otra perna, agora o otcho!"
O esquema era tão complicado que nem nós conseguimos acompanhar. Os europeus então... Me senti na balada do fime "Formiguinhaz", ao apreciar tal cena. Não sei quem assistiu, mas quem viu vai saber. Mocinhas de franjinha impecáveis e mocinhos metrossexuais dançavam numa ginga de dar inveja à qualquer tábua de madeira. Impressionante.
Pós choque e tiração de sarro [claro], há uma mudança de professores. A dona do microfone agora é uma mulata loiríssima, que resolvera sair de casa com sua faixa de cabelo ao invés de uma saia normal. Começa o esquema "bragadá na Ilha de Madagascar" e todos aqueles axés das viagens de formatura de Porto Seguro, e me vem à mente aquela leva de adolescentes vomitados e vermelhos feito camarão dançando na praia, desidratados e com tatuagem de henna grudada de areia. A loira grita:
- Um pouquinho de axé, NO?
Começa o tchaca-tchaca, tchan-tchan-tchan e o chão-chão-chão. No meio tempo, nos deparamos com um negão maravilhoso à nossa frente rebolando mais do que o Jacaré do Gera Samba na época de sucesso. A Cristina [amiga da Marcela, catalã], se impressiona um pouco além da conta com as formas do cara.
- Dá pra quebrar nozes nessa bunda.
Crise de riso coletiva. Imaginamos a cena tão a fundo que até fazíamos mímica. Obviamente o dono do dito traseiro percebeu e ficou todo garboso. Esses meninos...
Renatinha se empolga no samba e sem querer é pisada por uma européia que tentava ensaiar uns passinhos em cima do salto agulha 12. Quase toma um xingo:
- Aiiiiiiiiii!!! Olha o tamanho do seu salto!!!
A menina se assustou tanto com a reação que se fechou igual ao um tatu-bola. Renatinha volta a sambar com o maior sorriso do mundo. Hê!
Começa a banda. Dança, pula, canta, grita, bebe [pouco - balada cara demais].
Rê* diz:
- Vou chamar o professor pra dançar.
Começa o show particular. Como se dois corpos pudessem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo, Renatinha e o professorinho saem "girando e rrrrodando" pelo salão. Por momentos a atenção é desviada da banda, e todos só têm olhos pro casal que ocupam todos os espaços livres da pista, com passos precisos. Professorinho diz qualquer bobagem à Rê*, porque o cara é tosco e precisa se auto-afirmar [algo sobre ela dançar forró sei lá o quê]. Ou tava com inveja por ela ser uma mulher muito gata e ele uma biba muito feia.
- Liga não, cê deu mó show!
Saímos da balada pós-banda rumo à malfadada Plaça Catalunya. Anda no frio, espera busão, pega busão.
Nos sentamos no cantinho pra ir conversando sobre algo sério, mas que não lembro no momento. Gruda um brasileiro do lado.
Fulano - Vocês tavam na festa, né? Olha, eu moro aqui há 4 anos e só saio com eles. A fulana loira dá aula de dança num sei onde, o outro cara é professor de não sei onde, é porque eu morei não sei quantos anos na Inglaterra e lá é muito frio, então não me adaptei. Tatê - Uau. Rê - ......... Fulano - Puxa vida, que coisa boa encontrar brasileiro, sabe? Espera [levanta do lugar que estava sentado e fica de pé na nossa frente] Porque eu só saio com brasileiros, eu acho que quem é de lá sabe o quanto é bom sair com brasileiros, porque a gente se entende, né? Porque assim, eu tenho passaporte, então pra mim é super fácil morar onde eu quiser, então eu tô aqui em Barcelona, mas a gente nunca sabe o dia de amanhã, vai que eu viajo pra algum lugar, me apaixono e falo assim "nossa, vou morar aqui", aí eu vou e mudo sabe? Ter o passaporte tem essas vantagens, e ainda que eu tô tentando me integrar, faço aula de catalão e tudo o mais. Tatê - Nossa, que bacana. Rê - ............ Fulano - Então porque não sei o quê, não sei o que lá e blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá.
Chega o nosso ponto de ônibus e o cara diz:
- Esse é o meu!!! E o de vocês??? - O nosso é o próximo! Beijo!
Vou conversando com a nêga:
- Nossa mano, prefiro andar um quarteirão a mais do que ficar ouvindo essa ladainha. - Você ainda tava toda simpática! Queria mandar o cara ir tomar no c*. - Simpática? Eu tava monossilábica! - Nem isso eu conseguia...
Lar doce lar. Após ter dançado, pulado, bebido, andado, esperado... o que mais nos cansou foi o retardado do busão. Argh.
PS: Claro que na próxima estaremos lá. ;)
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Escrito por Tatê e Rê às 03h34
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DOMINGO LEGAL
Domingo, dia de trampo... claro! Nem tem muito o que fazer no Antillana, o super bar em Badalona. Esse dia a galera vai mais pra jantar [argh - tem história pra isso também] e pra tomar um negocinho básico... nada parecido às sextas e sábados de bêbados barulhentos. Joan [meu chefe] me disse "domingo às 7", então fiquei moscando até às 5h15 pra tomar banho, me trocar e ir.
Enrolo mais do que o esperado, demoro mais do que o normal, saio de casa correndo e rumo ao metrô Fabra e Puig, que está a 10 minutos a pé. Vou passar na catraca, não acho a carteira. Viro, reviro, sobe un gelo no coração. Fudeu.
[LLAMANDO - RÊ* NEGA]
- Ahhh, esqueci a carteira em casa! Me ajudaaaaa! - Calma, vou descer com ela, te encontro no meio do caminho! Só vou colocar uma blusa!
Atravesso a avenida outra vez, atropelo velhinhos, tropeço em mim mesma, cai café no meu pé [estava estreando meu copo térmico], xingo deus e o mundo até encontrar a nêga, toda bonitinha com a calça do pijama e um moletom preto.
- Mal Tatê, num achava a chave! - Sussa, deixa eu correr, valeu, desculpa, te amo, tchau!
Corro de volta pro metrô, atravesso a avenida, atropelo velhinhos, tropeço em mim mesma e xingo deus e o mundo. Só não cai café no meu pé porque pedi pra Nêga levar o copo pra casa. Muito pesado aquele bagulho. Caro e pesado. Ai, que raiva!
Ligo pro meu chefe e informo a situação. "Sem problemas" diz ele. Que compreensivo!
Entro no metrô, rumo ao Clot pra fazer a baldeação pro trem. Saio correndo, atropelo velhinhos, tropeço em mim mesma, desço as escadas. Chega o trem.
- Irado, nem tive que esperar!
Fecham-se as portas.
TÂ TAN TÂ TAN... TÂ TAN TÂ TAN... [onomatopéia que representa o ruído gerado pelo atrito do vagão nos trilhos]
Passa o tempo... passa mais um pouco.
- Hola señor, desculpa. Esse trem vai pra Badalona, né? [cara de "óbvio, né?"] - Não, este vai pra Monterat [ou coisa que o valha]
Mantenho o sorriso e aperto os dentes.
- ......quê? - Si.
Xingo deus e o mundo um zilhão de vezes. Relógio marca 7 horas e 12 graus. Chego na cidade maldita, e desço no meio do trilho pra pegar a porcaria do trem pro sentido oposto, peço informação pro tonto do guardinha.
- Quero ir pra Badalona! [educação européia pega...] - Tem que voltar pro Clot. - Que dices?????? - Vai correndo que a porta vai fechar!
Saio no pinote tipo Papaléguas e deixo o guardinha comendo poeira. Ouço o "tu tu tu" da porta e dou um pulo pra entrar no vagão.
POW! PÁ! CRASH!
Capote federal no meio do vagão. Celular pra um lado, carteira pro outro, joelho ralado e Tatê no chão.
- Quer ajuda? - Não! [educação européia pega...]
Sento no banquinho. Ligo pro chefe.
- Vou chegar mais tarde ainda. - Sem problemas.
Ligo pra Rê*. Começo a chorar. MUITO.
- Nêgaaaaaaaaaaaaaaa! - Meu deus do céu, o quê aconteceu? Tô com taquicardia! - Ah mano, eu saí correndo pra pegar a por** do metrô, cheguei na mer** da estação, saí correndo naquele inferno, peguei a bos** do trem pro lado errado, vim parar na pu** que o pariu, uma tal de Mont num sei que mer**, tô atrasada pra car***, fui voltar dessa cidade de filha da p***, caí no chão e bati a por** do joelho!!!!! Agora tô perdida nessa Catalunya de mer** com um monte de idiota olhando eu fazer escândalo!! Buááááá!! - ...... Tatê... respira! - ........ - ........ - Hahahaha! [lágrimas continuam escorrendo dos meus olhos] - Hahaha meu, você tá bem?? - Nossa, eu sei vários palavrões!
Falei com a nêga durante uns 5 minutos até ela me acalmar. Valeu amore! Desci no Clot de novo. Peguei o trem de novo.
Acertei.
Cheguei no trampo com 40 minutos de atraso. Trabalhei, trabalhei, trabalhei. Hora de fechar as contas. O compreensivo "sem problemas" foi descontado do meu salário.
Volto pra casa de busão, desço e continuo a pé. Chego em casa com a Norah Jones, abro a porta de casa.
Quem disse que a chave saía da fechadura?
Relógio badalou 4 horas da manhã enquanto eu dava socos na chave pra ver se ela soltava. Começo a chorar de novo. [o quê acontece comigo, jezuis?]
- Tatê? - Nêgaaaaaa! Num aguento mais!! Quero dormir!!
Foi a vez da Rê* tentar desentalar o negócio. Socos e mais socos na chave. Em vão, deixamos para o dia seguinte.
Fomos dormir exaustas.
Às 9 da manhã tocam a campainha. Ouço o "blim blom" no meio do meu sonho. Toca a campainha de novo.
Levanto parecendo o Primo Coisa [aquele da familia Addams], abro a porta pras duas vizinhas, chocadas com a chave pra fora.
- Nena, estavas dormida? - ....... - É que a chave tá pra fora... - ....... sim, eu sei. - Blá blá blá blá
Nem lembro. Só lembro que o cérebro não respondia. Volta a Nêga de uma entrevista. Lembramos de uma história do Martiles, sobre o "chaveiro" cobrar uns 90 euros pra abrir portas...
- Noventa euros é o cacete! Com esse dinheiro a gente compra uma porta nova! Tatê, tenho um canivete power, vamos ver se a gente consegue desentalar a chave! - Tá!
No que eu demoro pra ir até lá, ela já tinha tirado uns 4 parafusos da porta.
- Nossa, calma, empresta!
Desmontamos a estrutura inteira. Um milhão de parafusos depois, ficamos com um canudo de metal na mão... com a chave ainda entalada.
Renatinha Bicuda Botani, pró-ativa assumidaça, vai até a loja de apetrechos pra casa-cozinha-banheiro-vendo-tudo-e-um-pouco-mais pedir auxílio.
Prometi pra ela que iria picar tomates e outras coisas para o almoço, mas não deu. Tive que ficar escutando as peripécias mirabolantes da Dona Encarna, a vizinha da frente [a protagonista de uma das histórias abaixo] que não deixava eu entrar em casa.
Milagrosamente, Renatinha volta com o canudo sem a chave. Horas de estresse depois, remontamos a porta. Tudo volta ao normal.
Tatê e Rê não precisam de meninos. Elas abrem potes de azeitona, fazem serviços de funilaria e têm canal pornô. Desculpaê.
Escrito por Tatê e Rê às 00h12
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Olé e mais uma na área!
Tudo começou quando Renatinha entrou na academia e fez um amigo catalão [e quando eu comecei a trabalhar em Badalona]. Badalona é tipo uma Osasco em São Paulo... não pelo look, obviamente, mas sim por estar ao lado de Barça. E viva a Catalunya!
Pois bem... o chico amigo em questão é de lá e joga RUGBY [é assim que se escreve?], e peculiaridades à parte, nos convidou pra assistir um jogo à tarde, algumas horinhas antes do meu trabalho.
Rumamos pra tal cidade [metrô, trem e posteriormente carona com o amigo do Joan, el catalán] até chegarmos no campo da Generalitat, chamado Paco não sei das quantas. Lugar lindo, solzinho no céu, igrejas ao fundo, montanhas ao lado, campo verdinho a frente e homens de shortinho correndo por todos os lados. Bela paisagem :)
Rê e eu nos sentamos num banquinho com a maior cara de peixe fora d'água e simplesmente contemplamos a perfeição da natureza. Começamos a contar histórias das antigas e em momentos politicamente incorretos, falamos mal de algumas pessoas ali presentes. Hê!
Em dado momento, me vem à mente uma vaga lembrança de ter recebido um telefonema às 9 da manhã, e ter sido avisada que minhas aulas de catalão recomeçavam na terça feira. Como Nico faz aulas comigo, decidi falar pra ele que ia continuar, e tentar convencê-lo a seguir estudando até encher o saco ou coisa parecida.
Procuro seu número na agenda e aperto o botão verde. Começamos a falar besteiras de todo o tipo, contei algumas coisas sobre o trabalho novo e entrei no assunto da aula de catalão.
[Enquanto eu conversava, o time de rugby fazia fila pra começar o jogo.]
Comecei a fazer a piadinha típica daqui, sem nenhuma noção de volume de voz, pois afinal de contas estava em campo aberto, coisa e tal. Falei coisas do tipo:
- Ah, Nico! Vamos pra aula! APRENDER CATALÃO, ESTAMOS NA CATALUUUUUUNYA!!
Inesperadamente, recebo uma cotovelada na costela. Rê* me olha com cara de pavor. No mesmo tom de voz, pergunto:
- Quêêê????
Olho ao redor e vejo que a fila que acabara de se formar era pra prestar uma homenagem de um minuto de silêncio a um morto. Um senhor me fuzilava com os olhos, e os 30 caras de shortinho mantinham suas cabeças abaixadas. Joan posteriormente me contou que era o último da fila e que escutava a minha voz.
Desligo o telefone sussurrando e sentindo o rosto fervilhar de vergonha. Rê* começa a rir baixinho.
- Eu tava falando muito alto? - Não, só tava rolando um eco! Catalunya lunya lunya! - Ai meu deus...
Começa o jogo, minha cara volta ao normal, tiramos fotinhos, gritamos "daleeeee, daleeee", brigas acontecem, loiras chegam, caras de shortinhos continuam desfilando, carrinhos de bebês passeiam (vai entender), frio começa cabrón, sol se põe, vento aumenta, gelo no pé izon.
- Nêga, preciso ir embora, entro no trampo daqui a pouco. - Beleza, te acompanho até o ponto.
Perguntamos pro guri onde era o bendito ponto, e ele explicou que era do outro lado da estradinha, mas que era um ponto suuuper grande e tal.
Quando chegamos na parada, vimos uma placa fincada com uma madeira. Único ponto do lugar.... grande bagaraio, parecia a locação do "2 Filhos de Francisco". Espera, espera, espera.. Sai um cachorro do mato. Rê* e Tatê se emocionam, claro.
- Oooohhhnnnn! Buzu buzu buzu!
Cachorro sai correndo pro meio da pista. Grito das duas:
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!
O dog foi semi-atropelado por um carro que vinha a milhão! Como a Rê* não conseguia olhar o resultado do estrago, olhei eu. Vi o peludo saltitando.
- Rê*, tá sussa, ele não morreu. - Ai, eu quero chorar!
Chega meu busão, me despido da nêga e subo pra mais um dia de feina.
Olho pro "motô". Tiozão de seus 60 anos, rádio ligado tocando "Born to Be Wild", e o bigode idêntico ao Leôncio do Pica- Pau. Era um leão marinho que recebera o dom de ser homem, pela mesma fada madrinha do Pinóquio. Impressionante. Tô há meia hora caçando palavras pra dar mais uma idéia de como era o cara. Não encontro. Só sei que o bigode dele cobria toda a boca, impossibilitando a compreensão de qualquer frase. Ainda mais em castelhano!
- Oi tudo bom? Você me avisa quando chegar perto da Rambla? [todo lugar da España tem uma Rambla] - jsdhkjhfkjnckjaksjdasdfhaskdh gronch gronch! - Quê? - ksdjkashjdsdfhsdfhsjh gronch adonde vas? - Ah! Vou pra Calle Santa Madrona, blá blá blá. Me falaram pra descer num sei onde. - Gronch gronch. - ........ quê? - GRONCH GRONCH A LA CALLE JKASDASJDKJASD! - ....... tá.
Só entendi que era pra descer quando ele me falou outros gronchs e fez um sinal com a mão pra eu tocar o sinal.
"Caminhando e cantando e seguindo a canção" rumo ao trabalho, toca meu celular
[LLAMANDO - RE* NEGA]
- E aí Tatêêêêêê!!!! - Ráll - Então! hahahaha! - Que que foi? - Sabe aquele minuto de silêncio? - Ai mano... fala pra mim que era só pra homenagear a porra da bandeira da Catalunya! - HAHAHAHAHA - ..... - Não era um minuto de silêncio pra um morto.... mas sim pra TRÊS MORTOS!!!! - ...... - HAHAHAHA [risos descontrolados] - Poxa nêga... se fosse pra um morto ainda vai, mas pra três é foda! - AAAAAAAAHHHHH HAHAHAHA - Num conta pro Joan que eu falei isso!!!! - Joan, no sabes lo que dijo Tati!
Desliguei o celular, entrei no trampo. Contei o ocorrido, alguns riram, minha chefe não achou graça nenhuma. Com los catalanes não se brinca, muito menos com eco.
Catalunya, nós gostamos de você. JURO!
PS: nunca sei terminar textos... a Rê sempre me ajuda, mas ela num tá aqui agora. Então vou terminar sem grand finale. Beijo e tchau!
Escrito por Tatê e Rê às 15h44
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Ano Novo? Vida Nova?
2007 e a saga continua! Feliz Ano Novo! E como não poderia deixar de ser... estrearemos com a nossa história de Reveillón-freak. Carles e Ivan [nossos amigos "cataláns"] nos convidaram pra balada de Ano Novo que organizaram em sua casa, já que o local é gigante e poderíamos fazer barulho, etc e tal. Contando com a ilustre presença de minha prima Ciçá e com a de dois amigos mais, Palito e Kamila, rumamos à L'Hospitalet munidos de vinho e lentilhas [quentinhas, dentro da panela de pressão]. 18 estações de metrô depois, chegamos na casa. Pessoinhas estranhas escreviam nomes em copos de plástico [não havia muitos] e outras faziam o jantar na cozinha, numa organização de dar inveja à qualquer mosteiro tibetano. Frango com "molho-não-sei-das-quantas", salada com kani e sem kani, batata ao forno, lentilha da Rê [a melhor] e trocentos recheios pra fazer bocadillos. De sobremesa mexerica e um pacotinho com 12 uvas pra comer quando soasse as 12 badaladas [campanadas] da meia noite, o que representa fartura pros 12 meses do ano. Carles sugere tocar um gongo ao invés de ouvir as campanadas pela TV, mas como a adesão foi baixa [só os brasileiros adoraram a idéia] ligaram no canal Catalão da Antena 3. Recebemos o kit-festinha: um plástico colorido com um chapéuzinho de festa, uma lingua de sogra, um óculos de papel, um colar de plástico e um dente de vampiro [!!!]. Nos enfeitamos com os apetrechos. Começa a contagem regressiva. Brasileiros [sim, apenas os brasileiros] começam a gritar:
- DIEEEEEEEEEZ!!! - NUEEEEEEEVE!!! - OOOOOOCHO!!! - SIEEEEEEEEETE!!! - SEEEEEEEEEEIS!!! - CIIIIIIIIIIIIIINCO!!! - CUAAAAATRO!!! - TREEEEEEEEES!!! - DOOOOOOOS!!! - UUUUUUUUNO!!! - CEEEEEEEEROOOOOOOOOOOOOOO!!!
Grito SOLITÁRIO da Renatinha:
- AÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!!!!!!!!!!!
Silêncio de morte.
- Oooooooooowwww! GENTE!!! [em português mesmo, com um toque de indignação]
Silêncio de morte.
Tatê faz uma cara de "ai meu deus, quê que tá acontecendo" e olha pra Rê em pânico, antes de escutar a quinta badalada na televisão.
- Ai caralho, é pra comer as uvas!!!
Enfiamos já umas 3 direto na boca, pra compensar as badaladas perdidas. Rê diz:
- É pra guardar as sementes! - Putz, já engoli todas...
Deixo de lado uma uva podre do meu pacotinho. Pelamordedeus, quem organizou esse bagulho? Onde já se viu colocar uma uva podre no meio? Vou ficar um mês sem fartura.
Pós-campanadas, pessoas se cumprimentam. Brasileiros fazem escândalo desejando "meeeeeeu, muitas felicidades, muitas coisas boas, que seu ano seja maravilhoso, puta-que-o-pariu como eu te amo, é nóis na fita, ano novo galeraaaaaaa". Catalães dão dois beijinhos no rosto, e já vão descendo pra garagem, transformada em pista de dança. Renatinha em clima de desespero por não ter obtido resultados animadores dos catalães, pega o saco-kit-festinha e grita dentro dele:
- Aêêêêê!
Depois sorri pro saco e o abraça com ternura. Cena bizarra, gargalhada coletiva. Dos brasileiros, obviamente.
Brazucas desconsolados tentam justificar a euforia que deixou todo mundo com cara de "que pasa?".
- Ah, é que lá no Brasil a gente provavelmente estaria na praia, temos uma tradição de pular as 7 ondas, blá blá blá. - Sí, es que somos catalanes... no hacemos eso... - Ah...
Descemos pra garagem. Cima underground, velas na mesa, projeção de imagens na parede, bebidas nas mesas, som dark, cada um pro seu canto.
Entre risos e comentários do tipo "ow, que balada é essa?", nos abraçamos e decidimos pular as 7 ondas ali mesmo.
Coisa linda de se ver, viu! 5 pessoas abraçadas numa rodinha, gritando-contando até 7, pulando com o pé direito dentro duma garagem. Tiramos foto enforcados com nossos colares multicoloridos, pois rir é o melhor remédio.
O desespero encontra a solução.
- Vamo bebê?
O abraço agora vai pro estilo Homer Simpson, e brindamos pela cerveja, que é "a solução e a causa de todos os nossos problemas".
Incrivelmente, a balada começa a ficar boa. Muito boa. Mas muito boa mesmo. Pessoas começam a se soltar, a dançar, chegam outras pessoas conhecidas. A garagem dark agora é palco pra uns 50 nêgos que se espremem no meio da fumaça.
Constatamos que há uma garrafa de Velho Barreiro na festa. Portugueses estranhos resolvem fazer caipirinha. Passam o copo pra mim e constato:
- Ah, se eles soubessem fazer alguma coisa direito...
[Nosso amigo Dadzi sempre diz que a caipirinha dele é a pior do mundo. Pois é Dadzi, deixaram a sua no chinelo...]
O som vai até às 10 da manhã.
Saímos da garagem com aquela cara de "botaram fogo e apagaram com o tamanco". Começam rumores de todos irem à praia cumprir a tradição brasileira de pular as 7 ondas pra dar sorte. A adesão é grande, as brasileiras dizem "urrú!". Minha primosa já exausta deita no quarto reservado com a Rê, "pra esperar só um pouquinho até irmos à praia".
- Tatê, dá um toque quando tiverem saindo! - Tá.
Pessoas começam a ir embora, outros dormem no sofá da sala. Portugueses vão embora, Manolito vai embora, Carles não quer nem pensar em sair de casa. Ivan segue firme e forte. Saio de casa com o Super Lopez [Ivan] rumo ao Mediterrâneo, após constatar que Ciçá e Renatinha estão nos braços de Morfeu. Chego, molho os pés na água... e sinto todos os músculos se contraírem numa cãimbra louca, como se tivesse mergulhado os mesmos num isopor de cerveja cheio de gelo derretido, aquele sambado, com a tampa quebrada de final de churrasco. Salto as 7 ondas, saio do mar, "pode cortar meu pé, num vou sentir nada". Rê manda uma mensagem no meu celular: "só queria a chave de casa...".
- Ahhhhh cacete, a chave!!
Saio voando da praia rumo a Virrei Amat, chego em casa e vejo aliviada que tá todo mundo dentro do lar. Rê sai do banho.
- Poxa, Tatê... - Aaaaahhhh perdããão! - Toquei no vizinho e atendeu o filhinho! Aí eu tive que ficar explicando pro menino que eu queria pular o balcão, até a Kamila abrir a porta!
Perdão implorado e concebido, deitamos até à noite, claro. 17 horas de balada não é pra qualquer um.
Ah, pedimos desculpas por ter demorado tanto pra postar... é que estávamos em um mosteiro... meditando e revendo nossos conceitos sobre "quantidade e qualidade". Grata,
A Gerência.
Escrito por Tatê e Rê às 10h47
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RÊ*
Aêêê! Bom, temos muita história pra contar, mas falta tempo pra escrever. Temos visita essa semana - Sus, pra alegrar a casa :) Vamos passar o Natal em Salamanca, e assim que voltarmos contaremos novidades!
Aqui na foto, dona Renatinha em seu melhor estilo FOFA! Imagens pra um trabalho da escola que ficou muito legal [depois ela coloca aqui] Beijos a tod@s, bom Natal, aquela coisa toda! Tchau!

Escrito por Tatê e Rê às 15h35
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O OUTRO LADO DO BALCÃO
[post by Tatê de novo. tô ficando egoísta... medo]
Uma prévia. Comecei a trampar numa balada. Acho q nunca imaginei q pudesse ser tão bizarro. Estar do outro lado do balcão é realmente peculiar.
Sempre frequentei todos os tipos de lugares, sempre bebi, quase sempre fiquei amiga dos garçons. Mas ser um deles é algo realmente absurdo. Não sei nem dizer garçons de boteco, talvez seja mais fácil. Eu tenho q decorar o nome de 20 marcas de uísque, 10 de gin, 12 de vodca, licores e sei lá mais o quê com sotaque em espanhol e ainda falado por um bêbado. [números não-absolutos] "Vitilábelll" = White Label e por aí vai. Me perdi várias vezes, cometi o pecado de errar uma bebida e ter que jogar uma dose de Havana Club na pia. Ai, que dor no coração!
Mas o que eu mais gostei de tudo isso foi ver como as pessoas realmente se transformam, gradativamente, em outras pessoas. Em monstros, quero dizer... Acho que também sempre me comportei assim. "Tô na balada e foda-se, ninguém tá me vendo". Agora rolou uma vergonha! [haha]
Pois sim, minha gente. A diversão dos garçons é ver todo mundo ridículo e ficar comentando. Comentários maldosos!! :) [Adoroooooo!]
É ver quem chega sozinho e se dá bem, é ver o cara mal-intencionado pagar bebida pra mulher ficar com ele, é ver o depressivo com dois copos na mão encostado num canto, é ver como as meninas lindas chegam impecáveis e saem com o rímel até no pescoço, parecendo uma boneca derretida. É ver o gordinho liberando geral no meio da pista, é ver os gays dançarem como se não houvesse amanhã, é ouvir xavecos de sessentões que enrolam a língua, é ver como as pessoas tentam se comportar como se estivessem sóbrias pra pedir alguma coisa pra você, mesmo que elas estejam com a cara mais deformada do mundo. É ver a Cameron Diaz do mundo bizarro ser paquerada por três homens e não pegar nenhum, é ver o Ben Affleck do mundo bizarro fazer passinhos e cantar "Hit the road Jack, don't you come back no more", é ver como surgem as Shakiras escondidas no âmago das mulheres, com rebolados de dança-do-ventre que mais parecem dores de barriga enquanto o som grita: "Oh baby, when you talk like dáááááááááá, you make a woman go mááááááááááá". É ver como ainda existem pessoas com MUITA educação, é ver como existem pessoas MUITO mal educadas. É ter que ouvir "Pump Up the Jam" e só bater o pezinho no chão, é ter que ficar 8 horas em cima de um salto de encrava as unhas, é ter que ficar atenta pra caralho pra não errar nenhuma conta. É ver duas mulheres de bonezinho do Village People e roupa militar num esfrega-peito que deixaria a Madonna das antigas com cara de "What da fuck?" É ter os lábios ressecados com tanta fumaça, é ter um catalão mala-sem-alça mandando você fazer as coisas, é limpar a barra com o Gin que as pessoas pagam 9 euros pra beber. É me identificar totalmente com as pessoas que pedem tequila e dizem "ARRIBA! ABAJO! AL CENTRO! PÁ DENTRO!". Só que não poder beber com elas! Ahhhhh!
Isso ainda é só o começo. [hehehe]
Vou tentar fazer outro blog com essas histórias. Mais pra frente, claro. Ah, e vou deitar de novo.
Hoje à noite tem mais! :)
PS: Vai, confesso. Isso tudo é inveja da diversão alheia! hahahaha droga!
Escrito por Tatê e Rê às 16h47
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[.q.u.a.s.e.]
***[essa não é de bêbado, prometo]***
[post by Tatê]
Barcelona, Metrô Plaça Catalunya, 12h34, saindo da loja "El Corte Inglés" [lugar que vende TUDO. Tudo mesmo.]
Carregava nos braços:
- sacolinha com três tipos de filtro de café e uma caneca térmica - um casaco - uma bolsa - um cachecol - uma pasta do curso de catalão
Pego o trem velho, encosto na porta do outro lado, tentando equilibrar todas as coisas. Por incrível que pareça, o metrô tá um forno. Arregaço as mangas da blusa de poliéster sem sucesso. Sem mão pra isso. Tento puxar com a boca. Deixa pra lá.
Olho para o lado... Lá está ele... Lindo... Divino...
Meu Deus, é o LÉGOLAS!
Sim, um cara IDÊNTICO ao Légolas estava no mesmo metrô que eu. [Só que com cabelo castanho escuro] Seus olhos cor-de-turquesa reluziam "A Lagoa Azul" e eu pude ver a Brooke Shields ninfeta correndo de mãos dadas com aquele gatíssimo que tem o cabelo de miojo, os dois nadando na íris desse cara que estava a dois passos de mim. Vi o moço incomodado com meus olhos fixos em seu rosto. Quando dei por mim, tive a quase certeza de ter deixado uma poça de baba no chão.
PAUSA
Explico. Pra quem não conhece o Légolas: Elfo TOP do Senhor dos Anéis, interpretado pelo Orlando Bloom. Esse aqui, ó:

VOLTA
Meu trajeto é curto dentro do metrô. Estava na linha verde, tinha que passar pra azul. Plaça Catalunya / Passeig de Gracia / Diagonal - minha parada pra fazer a troca e seguir até Virrei Amat.
Alto falante diz em catalão:
PROXIMA ESTACIÒ: DIAGONAL
Recolho minhas coisas do chão, ajeito nos braços e cotovelos, enrolo o cachecol no pescoço, penduro bolsa no ombro, cachecol me enforca. Légolas me olha. Parecia uma sacoleira da 25 de março. Dou um sorrisinho. "Hê". Saio com o apito do trem. Pessoas me empurram e eu bato a sacola de coisas de café na porta do vagão, gerando um ruído que mais parecia o choque da coleção Tramontina de panelas de aço inox. Algo do tipo "Pééééééim!". Pessoas me olham. Légolas me olha.
Penso: - Deus me odeia.
Quando desejo ser um avestruz na próxima encarnação só pra poder enfiar a cara num buraco do chão, Légolas sorri. ..... ..... ...... ........ .........
E o que dizer após constatar que o sorriso do Légolas é igual ao do Gollum SMÍGOL??? Aaaaaahhhhh mano!!
PAUSA
Explico. Pra quem não conhece o Smígol: Meio ser/meio bicho que persegue o Anel o filme todo. Esse aqui ó:

VOLTA
Deus não é tão mau assim, já dizia Raulzito. Sai, zica!!
Escrito por Tatê e Rê às 16h35
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PINGA NI MIM
DOMINGO, 9h00 DA MANHÃ
Blim Blom (campainha) ...... Blim Blom, Blim Blom, Blim Blom ...... Blim Blom, Blim Blom, Blim Blom, Blim Blom, Blim Blom
Levanto - Caral***. Quem é?? - O vizinho de baixo!!!!
Abro a porta com a cara de sono master. Rê atrás de mim. - Hola, que pasa? - Tá pingando água na minha cozinha. - Ah sim, estamos com um problema na máquina de lavar, tá vazando água, mas já falamos com a proprietária e vamos consertar. - Tá, mas fecha a água da máquina.
Sai a Rê. Volta a Rê.
- Já fechei. - Mas e daí que você já fechou? Vai continuar pingando! E se continuar pingando, vou fechar o registro de vocês!! - Não, calma. Se continuar pingando, você volta aqui, avisa e a gente desce pra fechar a água juntos.
Sobe a esposa do cara. A Cruela Cruel do mundo bizarro, um pesadelo de senhora, cabelos que parecem ter sido colocados no olho do furacão.
- Eu tenho uma poça na minha cozinha!!! - Sim, senhora. Já sabemos, já fechamos a água, é que temos um problema com a maq... - Não me importa se vocês têm problema! Eu quero resolver o MEU problema. - Mas se estamos falando que já fechamos, o que podemos fazer?? Já falamos com a dona e...
Tiozão coloca o dedo na minha cara
- Já falei, vou passear com o cachorro, e se voltar e estiver pingando vou fechar o registro!! - Eiiii! Você acha que é o dono do prédio?? Quê que foi? Já falamos que se acontecer isso, é pra avisar, você não pode fechar o registro! - Eu quero que vocês falem com a dona! - Já falamos com a dona, mas hoje é domingo, o que você quer que a gente faça?? - Acorda ela! Desde que vocês vieram morar aqui, nós não temos sossego!! Vocês não são pessoas!!!
Ainda rolou um blá blá blá e eles foram embora. Amaldiçoamos o prédio e a comunidade de vizinhos. Queria ter quebrado o dedo do tio.
Rê diz: - O véio falou que nós não somos pessoas!! - Rê, vou ligar pra Eva. Telefone desligado... mandei uma mensagem.
DOMINGO, 10h34 DA MANHÃ
Toca meu celular. "Ritmo Latino", a musiquinha que eu escolhi. - Hola Tatiana, que pasa?
Expliquei o rolo. Falou que ia ver o que podia fazer.
DOMINGO, 10h35 DA MANHÃ
Mensagem de texto: "Vou até aí. Chegarei as 11h20."
DOMINGO, 11h20 DA MANHÃ
Péééééé!!! (interfone)
- Hola Eva, desculpa ter atrapalhado o seu domingo, o que acontece é que.... (explicamos o rolo) Dona Pilar (mãe da Eva) põe a mão na massa. Arrasta a máquina de lavar, abre registro, fecha registro, abre tampa, fecha a tampa, liga a máquina. - Sim, tá vazando. Vamos ter que chamar o técnico de novo.
Eva diz: - Vamos descer pra falar com eles. Digo eu: - Vamos com vocês.
DOMINGO, 11H40 DA MANHÃ
Blim, blom
(Bato o joelho com tudo na quina da escada. Puta dor duzinferno, já pra acabar com o bom humor dominical)
Abre a porta uma mulher pequenina, vestida com um roupão xadrez, gripada, com um lenço na mão secando o nariz. Sai um cachorro correndo. Ela pega o cachorro pelos pêlos, coloca ele pra dentro de casa.
- Quem são vocês? - Oi, eu sou a proprietária do apartamento de cima, vim conversar por causa da água e....
Grita a Cruela: - O quê ela falou pra vocês??? Me falem!! Sai o tiozão: - Nós só falamos pra elas fecharem a água! Não fizemos nada!!
Começa uma conversa. Na verdade não era uma conversa e sim um barulho. Éramos 4 contra 3, e um queria falar mais alto que o outro. Não se ouvia nem um "blá blá blá" e sim um "bdfjhasidfenfashdfodsjfosfadsfkjosd" eterno.
Barulho nas escadas. Era o Presidente da Comunidade de Vizinhos com a esposa, mais fofoqueira que a véia da Praça é Nossa.
Grita a gripada: - Rafa!! Rafa!! Diz o Presidente: - Não tenho nada a ver com isso. A mulher do Rafa toda espevitada pra ouvir a discussão. Começou a perguntar pra Rê o que tava acontecendo. Barulho ainda maior com 7 pessoas falando ao mesmo tempo.
Tiozão entra em casa, cansado de discutir. Rafa vai embora com a esposa, desconsolada por não poder assistir o Gran Finale.
Cruela começa a relembrar o jantar que fizemos há mais de um mês. - Já faz mais de um mês isso, e já mandaram cartinhas. O problema agora é com a água. - Então, eu tenho uma poça na minha cozinha. Hoje eu acordei, entrei lá e disse "UI! Aqui tem uma poça"
Dou risada em segredo. "Ui" é foda.
Eva e Pilar tomam nosso partido. Peço a palavra. Gripada me interrompe. Digo: - Olha, você falou tudo o que tinha pra falar, mas agora você não quer me escutar. Gripada faz uma cara de "Ai que saco" e presta atenção.
Faço o discurso da boa vizinhança. As coisas estão pra terminar mais ou menos bem, até que a gripada pergunta.
- A roupa que está no meu telhado é de vocês?
Droga.
- Si, son dos calcetines.
Rê: - Não Tatê, não são calcinhas, são meias... - Então... - Ah... é que outro dia o Ivan falou "que bonitos calcetines" e eu achei que meu cofrinho tava aparecendo. Agora eu entendi!!
Subimos com as donas do apê. Rachamos o bico com a história, mas estamos praticamente proibidas de lavar roupa.
DOMINGO, 2H46 DA TARDE
Bom domingo a todos!! O nosso já tá ótemo!!! :)
Escrito por Tati às 14h48
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Zoropéia
Eeeeee! Olha nois aqui! O inverno chegando e a gente se encapotando! hehe Beijos!

Escrito por Tati às 19h16
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